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    Valete [Entrevista]



    Valete. “Mesmo que não queira, sou uma voz da Damaia. Tu rimas sempre o teu espaço”

    ...Mas é verdade que a tua primeira rima é de 97?

    Ui! É, é verdade. Tenho duas primeiras rimas. Há uma que saiu oficialmente numa mixtape do DJ Bomberjack.

    A “Mundo Resignado”?

    Essa foi a primeira que gravámos. Não saiu logo, mas foi a primeira rima que escrevi, quando tinha 16 anos. Havia um programa, o “Repto”, do José Mariño, na Antena 3, e a única forma de a minha música passar, e poder dizer que era pública, era passar no “Repto”. Mandámos para o Mariño e ele não passou. Ou seja, ninguém tinha ouvido aquilo. Entretanto fiz a tal outra rima que entrou na mixtape. O Bomberjack tinha-as à venda em pequenas lojas de hip hop na altura.



    Isto tudo foi na fase em que pensaste desistir do rap?

    Foi um bocado depois, quando já tinha dois, três anos de rap, e já tinha alguma consagração na comunidade de hip hop, que na altura era muito pequena. Era muito novo e ficava muito afectado pelo que me acontecia. Os concertos, as críticas.

    O tal concerto traumático na Margem Sul em que ninguém aplaudiu?

    Exacto. Também tinha a ver com o meu desconhecimento. A Margem Sul, para quem não sabe, é o berço do hip hop em Portugal. Miratejo. Os concertos na Margem Sul sempre tiveram essa característica. O público não reage.

    Por alguma razão especial?

    Não sei, eles são os pais do hip hop e se calhar são muito exigentes. Para eles talvez todos os que vêm de fora sejam estrangeiros. Eu não era da Margem Sul. Não sei se acham que são originais e os outros são outsiders... Os concertos são conhecidos por serem muito difíceis. E se tiveres um concerto em que o público está ao rubro…

    Funciona como uma prova dos nove?

    Sim, se vences na Margem Sul vences em qualquer lado. É mesmo assim.

    É um bom teste mesmo para conquistar depois o mundo?

    Acho que sim [risos]. A nível de hip hop deve ser dos sítios mais difíceis. Já mudou muita coisa, mas nos anos 90 era assim. Não sabia e fizemos um concerto que concentrou quase toda a comunidade de hip hop na altura. Era o Canal 115, que era o meu grupo, e depois os Nexo, que eram da Margem Sul. Não imaginas a diferença de reacção. Para um miúdo de 18 anos é muito violento.

    Chegaste a viver na Margem Sul. Foste atrás do hip hop?

    Não, fui viver para lá porque em 1998 vivia em Benfica e fui despejado. O meu pai estava desempregado, éramos muito pobres mesmo. Estive um ano na Margem Sul a viver com a minha tia, na Amora. Só em 99 é que comprámos uma casa na Damaia.

    Os teus pais ainda estão na Damaia?

    Não, o meu pai já foi para São Tomé, a minha mãe também vai. Estou praticamente sozinho na Damaia.

    Essa passagem meio forçada pela Margem Sul abriu a porta para esse mundo? Dizias que na Calçada do Tojal em Benfica eras o único a gostar de hip hop.

    Sem dúvida. Era praticamente o único. Era muito estranho. Primeiro sentia-me sempre marginal e marginalizado, porque além de ouvir quis adoptar toda a cultura hip hop, a roupa, o estilo, as expressões. Sentia que era mal entendido e com aquela idade a reacção negativa das pessoas afecta-te muito. Passava muito tempo sozinho. Era eu com as minhas cassetes, em casa, com poucos amigos. Precisava de quem partilhasse música comigo. Nestas idades, um das principais factores para os miúdos criarem os seus agrupamentos tem a ver com os gostos musicais e eu não tinha ninguém.

    E é curioso porque no hip hop, talvez mais que noutros géneros, funcionam muito como irmandade.

    Sim. Não vês nenhum rapper a fazer um álbum sem participações. É uma coisa familiar. Foi engraçado porque através do programa do José Mariño comecei a conhecer outros rappers, como o Sam [the Kid], que vivia em Chelas. Alguns rappers enviavam cassetes para o José Mariño e deixavam lá o contacto, se quisessem beats ou uma participação. Lembro-me de conhecer um rapaz, o Vinagre, que vendia cassetes com videoclips americanos. Quase ninguém tinha TV Cabo ou parabólica. Ter estes vídeos era um luxo.

    Começaste a comprá-las?

    Sim. Ele mandou mensagem para o José Mariño a dizer que vendia cassetes, deixou o número e eu liguei-lhe. As minhas amizades começaram a ser estas e distantes geograficamente. O Sam vivia em Chelas, o Vinagre em Oeiras.

    Como faziam a ponte?

    Ia eu, um miúdo de 16 anos muito pobre, a casa do Sam. Custava muito ter dois euros, ou duzentos escudos na altura, para ir a Chelas. Tinha o passe social, que para Oeiras já era mais caro. Era aquela coisa de encontros mensais, com importância tremenda para mim. Quando sabia que no fim-de-semana ia a casa do Sam vivia aquilo toda a semana. Era chegar à uma e sair de lá às oito da noite.

    Na altura o Sam também não era conhecido.

    O Sam era um miúdo como eu, que estava em casa a fazer as cenas dele, com muitas diferenças em relação a nós. O Sam é aquele gajo de que eu digo que se o rap não existisse ele seria músico, muitos de nós não. Só temos ligação à música porque somos rappers. O Sam já tinha máquinas e teclados, já tocava coisas. A relação do Sam com a música transcende o rap. Ele era aquele gajo muito eremita como eu, trancado no quarto a fazer beats, apaixonado por filmagens.

    Nunca houve rivalidade?

    Não, até acho engraçado porque já havia alguns, poucos, rappers consagrados. Boss AC, Black Company. E as nossas discussões em casa dele eram sobre quem era o melhor. Nunca pensámos que podíamos entrar na elite do rap. Gostávamos de hip hop e fazíamos umas rimas mas achávamos que as nossas coisas eram precárias. Eles eram os nossos ídolos.

    Eram mais as referências nacionais que estrangeiras, até conhecer a MTV?

    Sim, com o MC Hammer, por exemplo, foi uma relação normal, juvenil. Era uma moda, e um negro que era uma referência cultural. Para uma criança negra é mesmo muito importante ter referências negras, para sentires que podes aspirar a algo, senão perdes auto-estima. Ver o Hammer, além do entretenimento todo, tinha esse lado.

    No caso do hip hop, um branco poderá hoje acusar mais essa falta de auto-estima do que um negro?

    Por exemplo, acho que os brancos que já gostavam de hip hop se sentiram mais confortáveis quando o Eminem apareceu. Um rapper branco era uma referência. Houve uma altura em que ser branco no hip hop era difícil. Tinhas de estar relativamente bem entrosado já. Em Portugal nunca houve uma relação directa entre violência e hip hop, é um mito. Mas um miúdo branco que gostasse de hip hop se fosse a uma festa e só visse negros, automaticamente excluía-se. O outro pessoal podia sentir que estavas ali com superioridade, mas na verdade estavas com receio. Quando começou a aparecer o Eminem, até os Mind da Gap, sentiram que se podiam misturar.

    Mas é pacífico ver um betinho a rimar?

    Há cada vez mais. É polémico para alguns rappers, para mim não. Para mim essa é a missão do hip hop, a globalização, a transversalidade, a heterogeneidade. No outro dia estava a ouvir um miúdo do Estoril a rimar sobre um dia em que esteve a fazer surf. Achei fantástico. O hip hop está a cumprir a sua missão. Dá o privilégio de um miúdo expressar o que está a sentir através de rimas, que é diferente de um miúdo da Damaia. Um miúdo do Estoril não pode cantar o mesmo que um miúdo da Damaia.

    Só se torna falso quando não cantam a sua verdade?

    Exacto. Acho que estamos a conseguir esta beleza em Portugal. Nos EUA, em muitos momentos da história do rap, houve mesmo racismo, uma guetização de rappers negros. Cá não. Vejo miúdos em Beja a falar do que acontece em Beja, outros nos Açores. Uma diversidade temática incrível que enriquece o rap.

    Ainda há poucas raparigas a arriscar?

    Precisamos de mais, sim. Vão curar um dos problemas de muitos rappers, que é passarem mensagens misóginas em muitos momentos. Também é reflexo da sociedade, porque o rap reflecte o que as pessoas são. Elas podem dar o contraponto. E o hip hop cumpre essa tal missão quando puderes ouvir 15 rappers e perceber como está a sociedade, com a sua variedade e estilos de vida. Preciso de sentir o que sente uma mulher quando é maltratada, abandonada por um homem, discriminada no trabalho. Nós rappers temos sempre um quê de sociólogos. Temos a Capicua, que trouxe um lado feminino, que é uma grande mais-valia.

    Quando falas da comunidade hip hop continuas a abrir o leque para todo o espaço lusófono?

    Cada vez mais. Uma das minhas missões é mesmo tentar estreitar esses laços. Primeiro, porque os miúdos em Moçambique, Angola, Brasil, São Tomé estão a ouvir rap português. Também ouvem em inglês, mas esta coisa da lusofonia existe mesmo. Muitas vezes nem distinguem se é feito em Portugal ou Moçambique, estão só a ouvir. Esta coisa do rap lusófono já existe, e é engraçado que onde se sente menos é em Portugal.

    Sendo dos poucos géneros que a fabricar-se cá é sempre em português.

    Sim, e isso é bom. Por isso se calhar estamos a ganhar público enquanto outros géneros feitos em Portugal o perdem. Os miúdos hoje ouvem mais rap português que rock português, sem dúvida nenhuma. Cada vez vais ter mais dificuldade em ter bandas de rock de referência como os Xutos & Pontapés. Fogem da língua, estão agarrados a formatos antigos, enquanto as pessoas querem coisas mais espontâneas. A internet está a mostrar muita diversidade e cada vez te ligas mais ao que é real, não fabricado. O rap tem isso. Aquele dia de surf do miúdo do Estoril de certeza que aconteceu.

    És do tempo das cassetes, antes da internet. Hoje são mais as editoras que precisam de vocês que o oposto?

    Sem dúvida. A nossa dificuldade desde sempre foi chegar ao público. Nos anos 90, se o Mariño não passasse a minha cassete na rádio, ninguém ia ouvir Valete. Já viste o drama que isto é para um músico? Ele passou uma mais tarde, da mixtape do Bomberjack, e acho que começou a sentir que aquele miúdo estava a fazer um barulhozinho. Hoje não há essa barreira. Só precisas de chegar ao público, sem passar por media nenhum. Depois fabricas um álbum na fábrica a 40 cêntimos. Claro que há custos de estúdio, mas há artistas que conseguem pagar isso com o dinheiro dos concertos. Na loja está a 15 euros porque são 50 intermediários pelo meio.

    Porque assinaste pela Valentim de Carvalho depois de estares na independente Horizontal?

    Claro que é contraditório com o que disse, mas há dois factores nisto. Conheci uma pessoa, a Paula Homem, administradora da Valentim de Carvalho, que me fascinou. Precisava de uma estrutura que me protegesse do trabalho burocrático de promoção, distribuição, e quando falei com ela acarinhou o projecto Valete como algo a longo prazo

    Já tinham editado outros nomes do hip hop?

    Acho que tiveram subsidiárias. A Norte Sul tinha ligação, e tinha Mind da Gap, e Boss AC no início. Agora tem Orelha Negra, que é hip hop fusionado com outras coisas. Mas a minha relação é mais com a Paula Homem que com a Valentim de Carvalho. Uma pessoa que ama música, ama os artistas, e sabe falar connosco. Ela é a Casanova da indústria musical [risos].

    Tal como o Sam, também não imaginavas chegar à elite. Mas de repente hoje actuas no Campo Pequeno.

    Sim, nunca imaginei. Realmente é tudo bué novo, mas percebo que beneficiei muito com a massificação da internet. Fiz um trabalho forte nas redes sociais, a gerir o My Space, o Facebook. Depositei toda a energia aí. Sou um produto da internet como muitos outros músicos para o futuro. A coisa de ser o rapper da Damaia, e a nacionalização do Valete, é coisa da net.

    Vês-te como o rapper da Damaia?

    Não gosto de rótulos, mas sim, sou um rapper da Damaia, no sentido em que tu rimas o teu espaço. Mesmo que não queiras, o espaço condiciona-te. Absorvo muito a vida e os comportamentos dos outros, e a Damaia é um sítio diferente de tudo na Grande Lisboa. Primeiro, é um antro de pressão colectiva. É talvez das zonas mais pobres. Tens pessoas a acordar às cinco da manhã e a chegar à casa às onze da noite, com dois ou três trabalhos. E é uma situação que é um espectáculo para qualquer pessoa que escreva. Tens o bairro social, o 6 de Maio, e a cinco metros tens uma zona de classe média baixa, e há pessoas que vivem nestes prédios há 30 anos e nunca atravessaram a estrada. É mesmo um gueto. As pessoas não se tocam.

    Vives de que lado?

    Na da classe média baixa, mas vou ao 6 de Maio. Tenho amigos que não o fazem. É incrível. Para eles aquilo é Auschwitz. Começas a criar muitos mitos e não tem nada a ver.

    Pensas sair da Damaia?

    Quero muito sair. Preciso de zonas tranquilas, de verde. Até porque estou a ter desequilíbrios do sistema nervoso e acho que tem a ver com isso.

    Foi por isso que em 2010 passaste mais tempo no hospital que no estúdio?

    Sim, tenho uma má ligação entre o sistema nervoso central e o coração. Tem a ver com os problemas dos urbano-depressivos, stresse, ansiedade. Na Damaia é muita tensão. Mesmo que não sofras estás rodeado de pessoas que sofrem. Amigos que pedem dinheiro porque o banco lhes está a ligar, por exemplo. Uma mulher que me viu a crescer e que hoje vejo na rua a pedir esmola. Isto é o dia-a-dia na Damaia.

    Pedem-te ajuda por seres o Valete?

    Têm essa noção, sim, mas não me tratam de maneira diferente. Dão-me mais responsabilidade e pedem para cantar certas coisas. Estão sempre a partilhar histórias que não partilhariam se não soubessem que tenho este canal. Mesmo que não queira, sou uma voz da Damaia. Pedem- -me muito para falar da relação da polícia com a população da zona, que é tensa. Devia haver mais inteligência emocional.

    Imaginas-te a ir ter com o teu pai a São Tomé, onde gerem uma panificadora?

    Gostava de fazer aqui umas coisas na música mas quero muito isso. Sou o meu pai, somos iguais em tudo. Preciso mesmo dele. Quando estou sozinho e preciso de conselhos sinto falta. Acho que a minha música está a mostrar um lado dessa carência. É engraçado.

    Os teus pais já te viram em palco?

    Sim, o meu pai viu-me na Expo 98 e a minha mãe viu-me na semana académica de Faro, em 2011.

    O que pensavam quando gastavas aqueles duzentos escudos para ir ter com o Sam the Kid?

    Nunca oprimiram a paixão mas acharam que era um disparate, até porque muitas vezes pus em risco passar de ano na escola. Era preocupação natural de pais. Agora é um orgulho fantástico. Creio que a minha mãe não gosta muito de me ver ao vivo, porque tenho um lado mais animal, digo asneiras, e ela educou-me com grande rectidão.

    Chegaste a terminar o curso de Ciências da Comunicação?

    Sim, estava ligado ao rap nessa altura. A faculdade roubava-me menos tempo que o secundário. Deu para gerir bem. Estava na Independente, que fechou, e o grau de exigência era muito baixo. Aquilo era uma máfia organizada.

    Dava bom assunto para uma rima?

    Sem dúvida. O Sócrates também se safou lá à grande. Nunca pensei que a faculdade ia ser tão fácil [risos].

    Como é o processo de escrita?

    Mete tudo. Vejo muitos filmes e isso inspira-me. Estava a ver o “Para Roma com Amor” e quis logo fazer um som sobre a fama. A Damaia também me inspira. Quando era novo andava muito de autocarro, porque vivia na Damaia e estudava em Chelas. As conversas eram inspiradoras.

    E a política? Já ouvi chamarem-te “rapper político”.

    Odeio isso, nem sei o que é. É mais a situação política, que tem a ver com tudo, democracia, eleições, partidos. Com a caricatura em que tudo se tornou. Se quiseres posso resumir no Miguel Relvas. Quero acabar estes concertos para escrever já uma música sobre isto.

    Depois de alguns adiamentos, “Homo Libero” sai no início do ano, depois do “360 Graus”.

    Exacto, foi um álbum conceptual, que está na gaveta, talvez volte. Gosto muito do Iñarritu e queria fazer um álbum em que todas as músicas tivessem narrativas que acabavam no sítio onde começavam. Mas depois a minha namorada na altura pôs--me em xeque. Compreensível. Era mais velha e queria casar e ter filhos. Abandonei-a. Queria ficar cinco anos envolvido full time na música. O meu pai sempre me disse que o amor não é tudo, e realmente testemunhei isso pela primeira vez. Depois trabalhava das nove às cinco num escritório.

    O dos recursos hídricos?

    Sim, que já deixei. Estava a sofrer imenso. Sentia-me asfixiado com isto tudo. Comecei a ler umas cenas e conheci um actor que vivia há 20 anos num T0, nunca casou, que vivia felicíssimo com 300 euros por mês. Eu não entendia mas fez--me pensar em tudo. Daí o homem livre, que consegue ser forte para se livrar do instituído. Quis fazer um álbum.

    E aquela suposta contradição que está numa música, que nunca te iriam ver na TV porque és “um puto do underground”?

    Iá, há bué gente que me critica por isso. Primeiro, quando rimei isso ninguém aparecia na televisão, por isso não tinha nada de especial. Depois estava a acabar o curso, queria fazer o álbum e deixar a minha marca e seguir a minha vida, longe da música. Só que o “Educação Visual” teve muito feedback e pediram-me mais sons. Era uma paixão e senti necessidade de ficar. A tua cabeça em 2012 não pode ser a mesma que em 2002. Alguns fãs não entendem. Ficam a recitar rimas como contradições. Para mim, a única coisa constante na natureza é a mudança.

    Há quem lamente a saída do underground?

    Óbvio, mas acho injusto. Não quero ficar ligado a esse conceito de underground como coisa escondida. Quero ficar ligado ao conceito de underground da relação pura com a música, para conseguires ser livre. Fiquei relativamente frustrado quando fui ao Sudoeste e fiz um alinhamento adaptado àquele festival. Tenho uma músicas de pugilato, como stand-up em versão rap. Tenho esse lado mas decidi não mostrar, porque podiam não gostar. Estava condicionado, mas não devo ser escravo destas coisas. És undergound quando nem pensas o que underground quer dizer.

    É importante ter outro trabalho?

    Claro, é mais fácil. Fizemos concertos muito grandes num circuito onde se paga bem, e pelo menos nos próximos dois anos, até porque sou poupadinho, tenho dinheiro para viver. Quando sentir que preciso de tirar dinheiro da música, tenho de sair, porque a minha música vai perder.

    Fonte: ionline.pt

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